Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós; (1 Pedro 1:18-20)

O Natal tem origem no Deus trino – o plano do Pai, a escolha do Filho e o mover do Espírito – e essa origem remete a antes da criação do mundo. A encarnação e o sacrifício do Salvador compreendem o fim da narrativa que define o propósito da história terrena e divina.

Na narrativa bíblica, Abel cuidava de ovelhas. A morte dele marca o começo de uma analogia notável que se revela no decorrer das páginas do Antigo Testamento, seguida do cordeiro da Páscoa (Êxodo 12:3-27), a Lei dada a Moisés a respeito dos sacrifícios, os quais incluíam “um cordeiro macho sem defeito”, sobre o qual era simbolicamente depositado o pecado para fazer a expiação (Levítico 1:3-4). Finalmente, no batismo de Jesus Cristo, João Batista exclama “eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29).

Das 32 vezes em que o termo “cordeiro” ocorre no Novo Testamento, 27 estão no livro do Apocalipse como um dos nomes do Filho de Deus. Quando o Cristo glorificado aparece a João em visão, na ilha de Patmos, o apóstolo vê que o rosto de Jesus era como o sol em todo o seu esplendor (Apocalipse 1:16) – como uma luminosidade nuclear irradiada a partir de um corpo humano. Vemos, nessa descrição, a luz ofuscante do Filho, cuja presença torna insignificante o poder dos imperadores.

Quando João é transportado ao céu, em visão, contemplamos o Filho de Deus glorificado. Mesmo assim, ele é descrito como um cordeiro que havia sido morto (Apocalipse 5:6). Que imagem mais estranha e chocante. Então, Jesus é adorado por ter sido morto e, com seu sangue, ter comprado homens de toda tribo, língua, povo e nação (5:9). A glória do Filho no céu se concentra no fato de ele ter se tornado o substituto dos pecadores. Ele pagou a dívida. Essa é a doutrina da salvação que vem do céu.

Ao longo do restante do livro de Apocalipse, Jesus é “o Cordeiro”. É verdade que o Filho é criador, julga e legisla sobre tudo e todos, mas a obra mais impressionante que ele realizou foi ter se entregado como sacrifício, como o Cordeiro de Deus. A encarnação e a cruz revelam a profundidade do coração do Deus trino. O Natal teve sua origem antes da criação do mundo.

Por Dr. J. Scott Horrell, professor de estudos teológicos

Tradução de Eduardo Tavares
Original em DTS